Mosca Digital ROBERTO ANDRADE - betoan@globo.com


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Junho 21, 2007 :::
 
A PESQUISA DO FUTURO



Jeffrey Cole é o diretor de um projeto mundial bancado pela Microsoft que se destina a compreender os caminhos futuros da mídia a partir de uma pesquisa comportamental profunda feita com um grupo de jovens entre 12 a 24 anos em 9 países. Cole coordena o Centro Para a Cultura Digital da Microsoft, responsável ha 7 anos por este estudo.

Ontem, no Festival de Publicidade de Cannes, o executivo da Microsoft apresentou um seminário chamado "A Web e a Grande Midia: Amigos ou Rivais ?", onde relatou o resultado da pesquisa que tenta compreender o que restará do confronto entra as novas mídias e as mídias tradicionais.

As informações repassadas ao público por Jeffrey Cole são um dos mais importantes relatos já feitos sobre o que deve acontecer nos mercados de comunicação no futuro. Segue, abaixo, o resumo da palestra:

* Tendência # 1 - A internet não é ameaça à TV porque deriva dela; a diferença é o diálogo permitido pelo digital. A banda larga foi a grande responsável pela virada de importância da internet na vida das pessoas. Os computadores saíram do quarto dos fundos em acessos diários de meia hora para ficarem na cozinha ou na sala de estar, com dezenas de acessos diários de poucos minutos.

* Tendência # 2 - A propaganda na TV vêm mudando há 30 anos e seguirá mudando, em todas as mídias. Na TV, isso começou com o controle remoto nos anos 1970, acelerou-se na virada para os anos 80 com os canais a cabo e satélite e especialmente com a chegada do videocassete, que nos EUA era usado em 50% dos casos apenas para gravar e rever programas. A diferença para os gravadores de hoje é que as pessoas, mesmo sabendo que poderiam passar por cima do break comercial, ainda não se sentiam tão incomodadas com os comerciais e tinham preguiça de fazer o "forward analógico". Há um futuro incrível para a televisão, assim como para jornais e revistas, que na internet ficam muito mais atraentes e também parecidos com a televisão. As novas gerações nem saberão a diferença entre uma mídia e outra em suas versões para a web: TV e web passarão a ser apenas termos que distinguem a origem do que você está vendo.

* Tendência # 3 - Uma quantidade surpreendente da internet e do entretenimento vai se mudar para o universo mobile

* Tendência # 4 - A TV passará a ser muito usada no "downtime" (esperando o avião, no carro para as crianças, em uma fila)

* Tendência # 5 - As atitudes em relação à web vão mudar nas novas gerações. A atual geração já paga pelo conteúdo digital e isso passará a ser um consumo normal como qualquer outro, após a fase de transição entre 2000 e 2005. Fatores como segurança digital vão enfraquecer as redes de compartilhamento de arquivos grátis, assim como o modelo de venda isolada de músicas já consagrado pelo iTunes. Este gasto fará parte do orçamento familiar, ao mesmo tempo em que o conteúdo patrocinado por anunciantes vai decolar.

Outros grandes cenários para o futuro, a partir dos projetos de pesquisa de Cole, para os jovens entre 12 e 24 anos:

- praticamente nunca lerão jornais, mas podem se interessar por revistas
- nunca terão um telefone fixo ou um relógio
- acreditam em fontes desconhecidas, mais que nos experts
- pequeno interesse pela fonte da informação
- comunidades no centro da existência da internet
- pensam não estarem interessadas em propaganda ou afetadas por marcas, embora seja o contrário
- querem mover conteúdo livremente de uma mídia para a outra, sem restrições
- querem ser ouvidos (user generated content)


::: posted by ROBERTO ANDRADE at 10:21 AM


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Junho 12, 2007 :::
 
A TV DIGITAL BRASILEIRA TEM A CARA DO BRASIL



A grande maioria dos brasileiros já sabe que vem aí a TV Digital. Da mesma forma esta mesma maioria não tem a menor idéia do que exatamente isto significa. Situação que reflete uma ignorância sistêmica por parte da população sobre temas um pouco mais complexos, originada pela cultura do desinteresse público e privado em informar os cidadãos, praticada em nosso País desde sempre.

De fato, ao subirmos um degrau no universo de quem pretensamente sabe que TV é esta que teremos à disposição em breve, vamos descobrir que a desinformação sobre o tema é epidêmica. Nas escolas, universidades, meios de comunicação e outros ambientes privilegiados no contato com o conhecimento, reina um enorme ponto de interrogação sobre como funciona, para que serve e quanto vai custar o novo eletrodoméstico dos brasileiros.

Esta situação é grave e revela o verdadeiro contexto de funcionamento das chamadas "inovações" em países como o Brasil, onde a educação foi relegada a um plano inferior. Alias, em nosso caso, a plano nenhum. Sem saber exatamente o que é, para que serve e quem pagará a conta, a população assiste passivamente a procedimentos mercadológicos que, em primeiro lugar, se destinam a garantir o sucesso das empresas envolvidas neste grande negócio.

Em termos comerciais, nada errado, pois cabe mesmo a estes grupos defenderem seus interesses. Mas me permito questionar o papel do poder público e dos meios de comunicação sobre a forma como estão informando e educando a população para que possam fazer o melhor uso possível das ferramentas e mecanismos tecnológicos que estarão integrados ao novo serviço digital de produção e distribuição de conteúdos.

Me parece que grande parte deste desinteresse em informar é fruto de uma nebulosa realidade que cerca a implementação da TV Digital brasileira. Autoridades, empresas de comunicação e a indústria tecnológica ainda não conseguiram atingir as metas mínimas previstas nos acordos e discursos até agora tornados públicos, que previam para dezembro deste ano as primeiras transmissões no novo formato.

A Folha de São Paulo, inclusive, já publicou uma notícia alertando que o lançamento da TV Digital brasileira deverá atrasar. E, sem rodeios, a Eletros (associação que representa os fabricantes de equipamentos eletrônicos) confirmou que não tem como "precisar a data" em que chegarão os primeiros "set-top-boxes", equipamento fundamental para a recepção do sinal digital.

São fatos e situações que poderiam ser evitados com um pouco mais de transparência e planejamento entre as partes envolvidas neste processo. E, principalmente, com maior interesse público, através de uma ampla campanha informativa junto à população sobre esta mudança tão radical e importante de plataforma tecnológica em um serviço essencial para todos os brasileiros.

Um bom exemplo de que é possível fazer as coisas da forma certa é a incrível história da Coréia do Sul que, em 1960, tinha os mesmos índices de analfabetismo do Brasil. Hoje os sul-coreanos erradicaram o analfabetismo e 82% dos jovens estão na faculdade, enquanto o Brasil ainda mantém 33 milhões de analfabetos funcionais -com menos de quatro anos de estudo- e apenas 10,4% dos jovens nas faculdades.

Não é à toa que na Coréia as crianças estudam 12 horas por dia e os professores recebem salário médio de U$ 6 mil, cerca de 12 mil reais. Tudo como parte de um plano público chamado "Korean Vision", onde foram estipuladas centenas de medidas a serem adotadas pelos setores público e privado para levar a informatização a todas as áreas do governo, da economia e da sociedade.

O resultado é que a Coréia é hoje o País mais conectado do mundo, onde 80% da população tem acesso à internet e as redes de TV usam a tecnologia digital para exibir conteúdos educativos e culturais em 100% das escolas. Medidas as diferenças, uma situação bem diferente da que teremos no Brasil a partir da implantação da nossa TV Digital. Mas nunca é tarde para reconhecer limitações e aprender com os outros. Basta querer.

::: posted by ROBERTO ANDRADE at 2:59 PM


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ROBERTO ANDRADE é jornalista, pós-graduado em jornalismo digital com 25 anos de experiência em televisão. Trabalhou como roteirista, produtor e diretor de programas, filmes, documentários e videoclips para diversas redes e emissoras, como TVE, Band, RBS TV, TV Globo, MTV e Antenne 2. Foi vencedor do I Festival do Minuto e premiado como produtor no Festival Internacional de Cinema, Vídeo e Televisão de Nova Iorque. Dirigiu a produtora Prisma durante 15 anos, onde realizou mais de 700 trabalhos para o mercado publicitário. Produziu e dirigiu os programas de rádio e TV de 14 campanhas políticas em 5 estados brasileiros. Tem artigos jornalísticos e técnicos publicados em jornais e revistas de todo País, com ênfase nas novas mídias e ambientes digitais. Atualmente é diretor e roteirista da ZNet Conteúdos Digitais, além de Consultor em Mídias Digitais para empresas no Brasil e no exterior.
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Joost™
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ROBERTO ANDRADE - betoan@globo.com



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