Mosca Digital ROBERTO ANDRADE


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Abril 18, 2007 :::
 
A FALÁCIA DO CONTEÚDO COLABORATIVO

Uma pequena nota publicada pelo Ricardo Kalil no site No Mínimo -que recebeu do Blue Bus uma única e atenta consideração- expõe um dos mais consistentes questionamentos que pode ser feito sobre o chamado "conteúdo colaborativo", nova febre do mundo on-line.

Kalil contesta a importância dada pela mídia norte-americana para um vídeo amador feito no celular por aguém que estava perto da Universidade Virgínia Tech, no momento em que aquele maluco sul-coreano fuzilava mais de 30 estudantes.

O vídeo não mostra nada além da fachada do prédio da universidade e o estampido de alguns tiros. Como acertadamente afirmou Ricardo Kalil, não tem nenhuma importância como imagem jornalística, podendo servir, talvez, como prova na investigação policial. Mesmo assim, as grandes redes americanas de TV rodaram diversas vezes o vídeo feito no celular, fato que se repetiu pelas tevês mundo afora e pelos sites de notícias on-line.

Este fato dimensiona a forma equivocada como grande parte dos gestores da mídia mundial estão tratando a capacidade dos usuários gerarem informação a partir dos novos recursos da mídia digital. De uma hora para outra perdeu-se a noção de exigências mínimas de qualidade que fundamentam a utilização de um conteúdo gerado pelo público como material jornalístico ou de entretenimento.

Por desinformação e uma certa fragilidade intelectual de quem desenvolve e administra conteúdos profissionalmente, percebe-se uma quebra brusca e inusitada de padrões técnicos e editoriais construídos a partir de fundamentos sólidos, criados em séculos de relação entre geradores e consumidores de informação.

A velocidade e a facilidade com que a plataforma das mídias digitais permite aos usuários gerarem e publicarem conteúdos deixou tontos jornalistas, publicitários e produtores, a ponto de já não mais se distinguir com clareza o que tem valor informativo, educacional ou cultural.

O resultado desta duvidosa democratização de recursos e meios é ainda uma incógnita, mas os usuários já brilham no horizonte das mentes preguiçosas e de outras muito espertas como os novos e definitivos geradores da informação. Ele, usuário, passou da platéia para o palco, transformando-se da noite para o dia na nova estrela da comunicação.

O risco desta "nova ordem" é a banalização de conceitos fundamentais na construção de uma informação séria e na produção de entretenimento qualificado. É imprudente inverter papéis sem rever responsabilidades. Não creio que a média dos usuários das mídias digitais tenha talento ou capacidade para realizar o trabalho que jornalistas, publicitários e produtores culturais prepararam-se durante anos para exercer.

Se o "conteúdo é o rei" como gostam de afirmar os gestores da nova mídia, devemos esclarecer que reinado é este, pois há uma possibilidade muito grande de toda esta revolução digital criar um retrocesso na qualidade da informação mundial que, se já não é boa, poderá ficar ainda muito pior.

Talvez este seja o momento mais apropriado para gestores, profissionais e estudantes de comunicação debaterem como, porque e para que servem as ferramentas de criação e publicação de conteúdos disponibilizadas aos usuários.

A horizontalização na produção de conteúdos não pode quebrar a importante espinha dorsal dos meios de comunicação, cercada de responsabilidades sociais e culturais. É preocupante ver um player de vídeos (You Tube) se transformar no ícone da evolução da mídia. É hora de pararmos para pensar, pelos menos nós que temos alguma preocupação com a qualidade da informação que produzimos.



::: posted by ROBERTO ANDRADE at 12:27 PM


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Abril 4, 2007 :::
 
O TEMPO DE CADA UM

Acompanho diariamente com atenção toda a movimentação que se substancia através dos novos nomes e de conceitos ainda frágeis relativos à evolução dos meios de comunicação. Tenho dúvidas sobre o sentido real destes processos de maturação tecnológica aliados à imaturidade social. Ainda não me convenci da serventia de toda esta revolução digital à evolução humana. Tenho observado mais que escrito os lamentáveis traços de uma certa histeria comportamental da "inteligência" ao tratar do assunto. Mas segue o baile. Este blog não vai acabar, vai mudar. Para melhor, sempre!



::: posted by ROBERTO ANDRADE at 12:10 AM


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ROBERTO ANDRADE é jornalista, pós-graduado em jornalismo digital com 25 anos de experiência em televisão. Trabalhou como roteirista, produtor e diretor de programas, filmes, documentários e videoclips para diversas redes e emissoras, como TVE, Band, RBS TV, TV Globo, MTV e Antenne 2. Foi vencedor do I Festival do Minuto e premiado como produtor no Festival Internacional de Cinema, Vídeo e Televisão de Nova Iorque. Dirigiu a produtora Prisma durante 15 anos, onde realizou mais de 700 trabalhos para o mercado publicitário. Produziu e dirigiu os programas de rádio e TV de 14 campanhas políticas em 5 estados brasileiros. Tem artigos jornalísticos e técnicos publicados em jornais e revistas de todo País, com ênfase nas novas mídias e ambientes digitais. Atualmente é diretor e roteirista da ZNet Conteúdos Digitais, além de Consultor em Mídias Digitais para empresas no Brasil e no exterior.
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Joost™
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ROBERTO ANDRADE



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