Jeffrey Cole é o diretor de um projeto mundial bancado pela Microsoft que se destina a compreender os caminhos futuros da mídia a partir de uma pesquisa comportamental profunda feita com um grupo de jovens entre 12 a 24 anos em 9 países. Cole coordena o Centro Para a Cultura Digital da Microsoft, responsável ha 7 anos por este estudo.
Ontem, no Festival de Publicidade de Cannes, o executivo da Microsoft apresentou um seminário chamado "A Web e a Grande Midia: Amigos ou Rivais ?", onde relatou o resultado da pesquisa que tenta compreender o que restará do confronto entra as novas mídias e as mídias tradicionais.
As informações repassadas ao público por Jeffrey Cole são um dos mais importantes relatos já feitos sobre o que deve acontecer nos mercados de comunicação no futuro. Segue, abaixo, o resumo da palestra:
* Tendência # 1 - A internet não é ameaça à TV porque deriva dela; a diferença é o diálogo permitido pelo digital. A banda larga foi a grande responsável pela virada de importância da internet na vida das pessoas. Os computadores saíram do quarto dos fundos em acessos diários de meia hora para ficarem na cozinha ou na sala de estar, com dezenas de acessos diários de poucos minutos.
* Tendência # 2 - A propaganda na TV vêm mudando há 30 anos e seguirá mudando, em todas as mídias. Na TV, isso começou com o controle remoto nos anos 1970, acelerou-se na virada para os anos 80 com os canais a cabo e satélite e especialmente com a chegada do videocassete, que nos EUA era usado em 50% dos casos apenas para gravar e rever programas. A diferença para os gravadores de hoje é que as pessoas, mesmo sabendo que poderiam passar por cima do break comercial, ainda não se sentiam tão incomodadas com os comerciais e tinham preguiça de fazer o "forward analógico". Há um futuro incrível para a televisão, assim como para jornais e revistas, que na internet ficam muito mais atraentes e também parecidos com a televisão. As novas gerações nem saberão a diferença entre uma mídia e outra em suas versões para a web: TV e web passarão a ser apenas termos que distinguem a origem do que você está vendo.
* Tendência # 3 - Uma quantidade surpreendente da internet e do entretenimento vai se mudar para o universo mobile
* Tendência # 4 - A TV passará a ser muito usada no "downtime" (esperando o avião, no carro para as crianças, em uma fila)
* Tendência # 5 - As atitudes em relação à web vão mudar nas novas gerações. A atual geração já paga pelo conteúdo digital e isso passará a ser um consumo normal como qualquer outro, após a fase de transição entre 2000 e 2005. Fatores como segurança digital vão enfraquecer as redes de compartilhamento de arquivos grátis, assim como o modelo de venda isolada de músicas já consagrado pelo iTunes. Este gasto fará parte do orçamento familiar, ao mesmo tempo em que o conteúdo patrocinado por anunciantes vai decolar.
Outros grandes cenários para o futuro, a partir dos projetos de pesquisa de Cole, para os jovens entre 12 e 24 anos:
- praticamente nunca lerão jornais, mas podem se interessar por revistas
- nunca terão um telefone fixo ou um relógio
- acreditam em fontes desconhecidas, mais que nos experts
- pequeno interesse pela fonte da informação
- comunidades no centro da existência da internet
- pensam não estarem interessadas em propaganda ou afetadas por marcas, embora seja o contrário
- querem mover conteúdo livremente de uma mídia para a outra, sem restrições
- querem ser ouvidos (user generated content)
Comments: Junho 12, 2007 ::: A TV DIGITAL BRASILEIRA TEM A CARA DO BRASIL
A grande maioria dos brasileiros já sabe que vem aí a TV Digital. Da mesma forma esta mesma maioria não tem a menor idéia do que exatamente isto significa. Situação que reflete uma ignorância sistêmica por parte da população sobre temas um pouco mais complexos, originada pela cultura do desinteresse público e privado em informar os cidadãos, praticada em nosso País desde sempre.
De fato, ao subirmos um degrau no universo de quem pretensamente sabe que TV é esta que teremos à disposição em breve, vamos descobrir que a desinformação sobre o tema é epidêmica. Nas escolas, universidades, meios de comunicação e outros ambientes privilegiados no contato com o conhecimento, reina um enorme ponto de interrogação sobre como funciona, para que serve e quanto vai custar o novo eletrodoméstico dos brasileiros.
Esta situação é grave e revela o verdadeiro contexto de funcionamento das chamadas "inovações" em países como o Brasil, onde a educação foi relegada a um plano inferior. Alias, em nosso caso, a plano nenhum. Sem saber exatamente o que é, para que serve e quem pagará a conta, a população assiste passivamente a procedimentos mercadológicos que, em primeiro lugar, se destinam a garantir o sucesso das empresas envolvidas neste grande negócio.
Em termos comerciais, nada errado, pois cabe mesmo a estes grupos defenderem seus interesses. Mas me permito questionar o papel do poder público e dos meios de comunicação sobre a forma como estão informando e educando a população para que possam fazer o melhor uso possível das ferramentas e mecanismos tecnológicos que estarão integrados ao novo serviço digital de produção e distribuição de conteúdos.
Me parece que grande parte deste desinteresse em informar é fruto de uma nebulosa realidade que cerca a implementação da TV Digital brasileira. Autoridades, empresas de comunicação e a indústria tecnológica ainda não conseguiram atingir as metas mínimas previstas nos acordos e discursos até agora tornados públicos, que previam para dezembro deste ano as primeiras transmissões no novo formato.
A Folha de São Paulo, inclusive, já publicou uma notícia alertando que o lançamento da TV Digital brasileira deverá atrasar. E, sem rodeios, a Eletros (associação que representa os fabricantes de equipamentos eletrônicos) confirmou que não tem como "precisar a data" em que chegarão os primeiros "set-top-boxes", equipamento fundamental para a recepção do sinal digital.
São fatos e situações que poderiam ser evitados com um pouco mais de transparência e planejamento entre as partes envolvidas neste processo. E, principalmente, com maior interesse público, através de uma ampla campanha informativa junto à população sobre esta mudança tão radical e importante de plataforma tecnológica em um serviço essencial para todos os brasileiros.
Um bom exemplo de que é possível fazer as coisas da forma certa é a incrível história da Coréia do Sul que, em 1960, tinha os mesmos índices de analfabetismo do Brasil. Hoje os sul-coreanos erradicaram o analfabetismo e 82% dos jovens estão na faculdade, enquanto o Brasil ainda mantém 33 milhões de analfabetos funcionais -com menos de quatro anos de estudo- e apenas 10,4% dos jovens nas faculdades.
Não é à toa que na Coréia as crianças estudam 12 horas por dia e os professores recebem salário médio de U$ 6 mil, cerca de 12 mil reais. Tudo como parte de um plano público chamado "Korean Vision", onde foram estipuladas centenas de medidas a serem adotadas pelos setores público e privado para levar a informatização a todas as áreas do governo, da economia e da sociedade.
O resultado é que a Coréia é hoje o País mais conectado do mundo, onde 80% da população tem acesso à internet e as redes de TV usam a tecnologia digital para exibir conteúdos educativos e culturais em 100% das escolas. Medidas as diferenças, uma situação bem diferente da que teremos no Brasil a partir da implantação da nossa TV Digital. Mas nunca é tarde para reconhecer limitações e aprender com os outros. Basta querer.
Comments: Abril 18, 2007 ::: A FALÁCIA DO CONTEÚDO COLABORATIVO
Uma pequena nota publicada pelo Ricardo Kalil no site No Mínimo -que recebeu do Blue Bus uma atenta consideração- expõe um dos mais consistentes questionamentos sobre o chamado "conteúdo colaborativo", nova febre do mundo on-line.
Kalil contesta a importância dada pela mídia norte-americana para um vídeo amador feito no celular por aguém que estava perto da Universidade Virgínia Tech, no momento em que aquele maluco sul-coreano fuzilava mais de 30 estudantes.
O vídeo não mostra nada além da fachada do prédio da universidade e o estampido de alguns tiros. Como acertadamente afirmou Ricardo Kalil, não tem nenhuma importância como imagem jornalística, podendo servir, talvez, como prova na investigação policial. Mesmo assim, as grandes redes americanas de TV rodaram diversas vezes o vídeo feito no celular, fato que se repetiu pelas tevês mundo afora e pelos sites de notícias on-line.
Este fato dimensiona a forma equivocada como grande parte dos gestores da mídia mundial estão tratando a capacidade dos usuários gerarem informação a partir dos novos recursos da mídia digital. De uma hora para outra perdeu-se a noção de exigências mínimas de qualidade que fundamentam a utilização de um conteúdo gerado pelo público como material jornalístico ou de entretenimento.
Por desinformação e uma certa fragilidade intelectual de quem desenvolve e administra conteúdos profissionalmente, percebe-se uma quebra brusca e inusitada de padrões técnicos e editoriais construídos a partir de fundamentos sólidos, criados na histórica relação entre geradores e consumidores de informação.
A velocidade e a facilidade com que a plataforma das mídias digitais permite aos usuários gerarem e publicarem conteúdos deixou tontos jornalistas, publicitários e produtores, a ponto de já não mais se distinguir com clareza o que tem valor informativo, educacional ou cultural.
O resultado desta duvidosa democratização de recursos e meios é ainda uma incógnita, mas o usuário já brilha no horizonte das mentes preguiçosas e de outras muito espertas como o novo e definitivo gerador da informação. Ele, usuário, passou da platéia para o palco, transformando-se da noite para o dia na nova estrela da comunicação.
O risco desta "nova ordem" é a banalização de conceitos fundamentais na construção de uma informação séria e na produção de entretenimento qualificado. É imprudente inverter papéis sem rever responsabilidades. Não creio que a média dos usuários das mídias digitais tenha talento ou capacidade para realizar o trabalho que jornalistas, publicitários e produtores culturais prepararam-se durante anos para exercer.
Se o "conteúdo é o rei" como gostam de afirmar os gestores da nova mídia, devemos esclarecer que reinado é este, pois há uma possibilidade muito grande de toda esta revolução digital criar um retrocesso na qualidade da informação mundial que, se já não é boa, poderá ficar ainda muito pior.
Talvez este seja o momento mais apropriado para gestores, profissionais e estudantes de comunicação debaterem como, porque e para que servem as ferramentas de criação e publicação de conteúdos disponibilizadas aos usuários.
A horizontalização na produção de conteúdos não pode quebrar a importante espinha dorsal dos meios de comunicação, cercada de responsabilidades sociais e culturais. É preocupante ver um player de vídeos (You Tube) se transformar no ícone da evolução da mídia. É hora de pararmos para pensar, pelos menos nós que temos alguma preocupação com a qualidade da informação que produzimos.
Comments: Março 19, 2007 ::: QUANDO A TECNOLOGIA ATRAPALHA
Os telefones celulares transformaram-se em brinquedos inseparáveis para crianças e adolescentes do mundo inteiro. No Brasil não foi diferente. Basta observar pelas ruas, nos shoppings e, principalmente, nas saídas das escolas, os grupinhos de meninos e meninas manipulando felizes e orgulhosos seus modernos dispositivos, como se fossem bichinhos de estimação.
Isso se deu pelo talento da indústria eletrônica ao compreender que telefonar seria, talvez, a útlima das serventias destes aparelhos para o publico jovem. Torpedos, músicas, ringtones e games se mostraram muito mais íntimos deste público que conversas com os pais ou amigos.
Mas como quase tudo na vida, tecnologia demais também atrapalha. Agora escolas, educadores e autoridades públicas de diversos países deparam-se com a necessidade de regular e em alguns casos até proibir o uso de telefones celulares em salas de aula. O caso mais recente deste tipo de proibição ocorreu na Itália.
Chocados com cenas gravadas por uma câmera de telefone celular mostrando um aluno deficiente sendo atacado por colegas (o vídeo terminou, é claro, no You Tube) as autoridades educacionais da Itália simplesmente proibiram que as crianças entrem nas escolas portanto telefones celulares.
O ministro da educação, Giuseppe Fioroni, avisou que as punições serão rigorosas para os alunos que descumprirem a determinação, podendo passar pelo recolhimento do telefone e encaminhamento do assunto à justiça, chegando até à proibição do aluno infrator de fazer provas e exames.
A Itália foi o primeiro país ocidental a tomar uma medida tão radical contra esta nova febre que invadiu a rotina de crianças e adolescentes em idade escolar. Mas pelo que tenho observado aqui no Brasil, algo semelhante deverá ser feito, até porque os brasileirinhos em idade escolar são bastante criativos.
Há duas semanas um aluno da 5a. série foi pego em São Paulo fotografando o gabarito de uma prova com seu celular para repassar as informações aos colegas menos estudiosos. A professora confessou que sequer sabia como se manipulava o aparelho, o que a impedia de imaginar uma punição para o jovem. E agora?
Comments: Fevereiro 26, 2007 ::: GAROTA ESPERTA! E APAIXONADA POR MAC!!
Daphne Kalfon-Campbell é uma jovem estudante do Real Conservatório de Música de Toronto, no Canadá. Em 2003 ela descobriu quase por acaso o software de áudio Garage Band, da Apple, um verdadeiro estúdio on-line que oferece aos usuários excelentes recursos para compor, escrever e gravar músicas pela Internet.
Em 2004 Daphne resolveu participar de um concurso de canções produzidas no Garage Band, promovido por uma revista especializada em produtos da Apple. A garota venceu a disputa com a música "I Love My Mac", uma simplória e divertida declaração de amor ao seu Mac. Ganhou de prêmio um HD Maxtor de 250Gb. Era só o começo..
Na surpreendente e colaborativo mundo da Web, a canção de Daphne virou moda e foi traduzida para 5 idiomas por fãs anônimos. O sucesso foi tanto que a garota transformou seu limãozinho em uma saborosa limonada, criando e lançando recentemente seu novo sucesso, chamado "I Love My iPod". Bingo!
As duas músicas de Daphne são hits garantidos em festinhas adolescentes nos Estados Unidos e já há propostas de empresários para que a garota siga adiante na sua esperta paixão pelos produtos da Apple. Para breve podemos aguardar, com certeza, o sucesso "I Love my iPhone"..
Para quem ainda tem dúvidas sobre a extensão dos conceitos expostos por Chris Anderson no livro "The Long Tail", o caso da jovem Daphne é uma verdadeira aula sobre mercado de nicho..
MOBILIDADE E PORTABILIDADE DITAM AS REGRAS PARA A TV DO FUTURO
Acompanhei inconformado o andamento do 3GSM World Congress, maior evento mundial da indústria da comunicação móvel, ocorrido em Barcelona. Inconformado, confesso, porque gostaria de estar lá, coisa que pretendo fazer no próximo ano.
Nos três dias do evento os maiores fabricantes de tecnologias e dispositivos móveis do planeta apontaram com clareza a dimensão que os recursos de mobilidade e portabilidade vão assumir no contexto mundial de mídia e entretenimento.
Em quase todas as palestras, foruns e entrevistas, o que mais impressiona são os números. O presidente da Nokia, Olli-Pekka Kallasvuo, informou, por exemplo, que somente este ano a empresa deverá comercializar 960 milhões de aparelhos. A Nokia detém 36% do market share mundial de telefonia móvel. A projeção da empresa para 2010 é que existam 4 bilhões de usuários em todo o planeta.
A Nokia aproveitou ainda para comunicar ao mercado o desenvolvimento de um novo conceito em seu modelo industrial, com pesados investimentos em handsets, aplicativos e soluções utilizando a internet como plataforma. E focou a tecnologia dos seus novos dispositivos na viabilização plena da TV pela internet.
Enquanto isso Rob Conway, CEO da poderosa GSM Association -representa 180 fabricantes e 700 operadoras em 217 países- deu um providencial aviso à indústria mundial da informação e do entretenimento sobre como pensar e criar da forma certa conteúdos para as mídias móveis. Sabiamente Conway afirmou: "não basta adaptar o conteúdo, ele tem que ser feito para a mobilidade. Falta um certo esforço da indústria de conteúdo para aproveitar esta imensa plataforma de usuários móveis.."
Outro depoimento fundamental, que dimensiona o que vai acontecer com o mercado das midias digitais móveis foi feito por Carl Svanberg, presidente da Ericsson, que avisou: "a grande novidade este ano é que as aplicações que não envolvem voz devem gerar a mesma quantidade de tráfego nas redes móveis que o serviço de voz tradicional. E isto se multiplicará várias vezes nos próximos 5 anos."
Mas a maior estrela do congresso, até agora, foi uma pequena companhia chamada Thin Multimedia Inc. com sede em Palo Alto na Califórnia e escritório em Seul, na Coréia. Eles avisaram -e viraram notícia no mundo inteiro- que já podem capacitar telefones celulares para funcionarem com Set Top Box (decodificadores), viabilizando um novo conceito para geração, distribuição e recepção de IPTV (TV pela internet) para dispositivos móveis.
Esta surpreendente revelação deixou de calças na mão tecnologias como DVB-H (européia), MediaFLO (norte-americana), ISDB-T (japonesa) e T-DMB (coreana), que disputam no mercado mundial o padrão de TV Digital Móvel a ser utilizado. Todas estas tecnologias dependem do suporte de uma Set Top Box que precisa ser adquirida por cada usuário para que seja possível assistir TV pela internet.
A Thin Multimedia não só avisou que detém a tecnologia para transformar os celulares em Set Top Box como comunicou seu primeiro contrato de peso para aplicação desta nova plataforma ao mercado consumidor. O cliente é ninguém menos que a KT Corporation, maior provedor de infra-estrutura broadband da Coréia.
Não há mais dúvidas que a TV do futuro será totalmente direcionada para dispositivos portáteis e móveis. E que vai utilizar a internet como plataforma de distribuição. O que se discute agora são as facilidades que nós, usuários, teremos para escolher o que, onde e como assistir.
Aqui no Brasil esta discussão ainda é primária, fruto do tempo perdido em debates estéreis e oportunistas sobre modelos e padrões tecnológicos a serem oficialmente adotados. Mas uma das grandes vantagens do mundo globalizado é que nenhuma força política ou corporativa impede a roda da evolução. Quem não enxergar as gigantescas transformações que se aproximam para a indústria da comunicação e do entretenimento vai ser engolido pelo bonde da história.
e61i, o novo smartphone da Nokia: internet, musica, vídeo, foto, tudo no mesmo dispositivo..
Comments: Fevereiro 14, 2007 ::: A GENIAL SIMPLICIDADE DA WEB 2.0
Muita gente me pergunta o que, afinal, é a Web 2.0. Depois de muito pesquisar, ler e pensar, cheguei à conclusão que é apenas um nome para o conceito de evolução que sempre acompanhou a computação pessoal e a internet. De fato, Web 2.0 representa um monte de coisas, quase todas boas, ligadas a simplicidade na aplicação de linguagens e programações que facilitem a vida dos usuários. E na compreensão de que a internet é uma plataforma mutante, em permanente evolução.
Para minha alegria encontrei hoje um vídeo simplesmente genial, criado por Michael Wesch, professor de antropologia cultural da Kansas State University. Em apenas 4 minutos, ele consegue explicar toda a evolução da internet e as transformações que este novo ambiente trouxe para nossas vidas. E fez isso usando exclusivamente ferramentas web. Vale à pena assistir!
Em um País cartorial como o nosso, onde as regras de mercado são decididas na maior parte das vezes por burocratas do governo e não pelo próprio mercado, é difícil para determinados segmentos empresariais aceitar a concorrência e a competitividade como elementos normais em suas rotinas.
Essa situação ficou claramente exposta, talvez pela primeira vez em nossa história de forma tão pública, nesta luta intensa entre as grandes redes de rádio e TV -os chamados radiodifusores- e os poderosos conglomerados mundiais de telefonia que se instalaram no Brasil a partir das privatizações promovidas no governo FHC.
Vitimados por um posicionamento equivocado que desprezou a velocidade com que as novas tecnologias se instalariam e os fantásticos recursos que com elas viriam, os gestores das redes de TV e rádio agora escabelam-se em tentativas quase histéricas de impedir o acesso das "telecoms" ao nobre mercado de comunicação e entretenimento.
Esta é uma luta inglória e fadada ao fracasso. Chega a ser cômico ver os radiodifusores hastearem a bandeira em defesa de legislações obsoletas e inadequadas ao que exigem os novos tempos. Tudo para deixar as empresas de telefonia fora do negócio "televisão", a menina dos olhos de todo o mercado.
Queiram os radiodifusores ou não, as telecoms vão explorar canais e redes de rádio e TV através de composições com operadoras de TV a cabo e também via internet, a chamada IPTV. O poder soberano sobre os meios de comunicação que detinham os grandes grupos brasileiros de midia está prestes a se pulverizar em novos modelos de negócio que vão resultar em milhares de canais de rádio e TV.
Esta mudança profunda de modelos não é prerrogativa brasileira, mas um fantástico movimento no tabuleiro mundial da indústria da comunicação, seja ela social, empresarial ou corporativa. A entrada das empresa de telecomunicações no ramo da informação e do entretenimento é, de fato, um dos principais efeitos da evolução da internet como plataforma tecnológica.
É possível prever, ainda, junto com esta nova acomodação de forças entre os grandes "players" do mercado, uma verdadeira revolução no contexto dos conteúdos que serão consumidos daqui para frente. Comunicação personalizada, colaborativa e interativa é a base conceitual do que o novo usuário quer ver e ouvir.
A comunicação horizontalizou-se. O poder sobre a informação está saindo de algumas poucas mãos para milhões de outras. Nada, absolutamente nada de melhor poderia acontecer para o público.
Este novo universo digital e o poder que ele traz para cada indivíduo podem representar a transformação necessária para que todos nós vivamos em um mundo melhor, mais informado e com muita liberdade de escolha. Resta a esperança que isto também se traduza em justiça social e um senso maior de fraternidade.
Comments: Fevereiro 1, 2007 ::: MAS AFINAL, QUE TV VAMOS VER?
Devido a repercussão do texto anterior sobre o "final de carreira" da TV aberta no Brasil -fruto de uma referência no site Blue Bus ao artigo que escrevi e a publicação do mesmo em alguns veículos- resolvi aprofundar um pouco mais a análise sobre os novos formatos tecnológicos e os futuros modelos de negócio que vão se definir em curtíssimo prazo no mercado brasileiro.
Há menos de seis meses observei um alto executivo de uma grande rede de televisão desdenhar da eminente transformação que sofreria todo o modelo atual de produção e exibição de conteúdos na TV brasileira. Era o preço da desinformação. Acho difícil que ele hoje mantenha a mesma opinião. Se a mantiver, é a pessoa errada para exercer cargo tão importante.
As transformações de plataformas tecnológicas nos países onde a TV Digital já é plenamente distribuída por via terrestre ou por satélite aceleraram a pesquisa e o desenvolvimento de recursos direcionados à viabilização dos projetos de IPTV, a TV distribuída e assistida pela internet.
Nos últimos seis meses, a indústria mundial de hardwares agregou-se intensamente a este processo e viabilizou dezenas de excelentes soluções de Setup Box, as caixas conversoras de sinal que permitem a utilização plena de recursos on-line, viabilizando com perfeição programações on-demand e algumas camadas de interatividade.
Google, Yahoo, Apple e Microsoft já anunciaram seus projetos voltados a oferecer conteúdos multiplos através de canais de IPTV. Só isso deveria ser motivo suficiente para deixar os gestores das redes de TV aberta no Brasil de cabelos em pé. Mas ao que parece eles estão no mesmo caminho dos executivos das grandes gravadoras musicais, que ainda procuram a placa do foguete que os atropelou com a criação do MP3 e da troca de arquivos on-line.
Não há indústria de entretenimento e mídia no planeta que consiga competir com o volume de oferta e a liberdade plena que a internet dispõe aos seus usuários, cada vez mais interessados em buscar conteúdos específicos, para serem consumidos quando e onde quiserem.
As limitações de banda de acesso para a implementação de canais de IPTV no Brasil serão rapidamente superadas. Assim está acontecendo no resto do mundo. Já temos 72,4% das cidades brasileiras cobertas por serviços de banda larga, segundo dados divulgados hoje pelo Atlas Brasileiro de Telecomunicações 2007. Em nosso país este serviço cresceu 660% nos últimos 3 anos. Que outro segmento de mercado fora do mundo digital teve crescimento semelhante? Nenhum.
A projeção dos institutos de pesquisa é que os serviços de IPTV se ampliem mundialmente a um ritmo de 80% ao ano, impulsionados por bilhões de dólares em investimentos a serem feitos principalmente pelas empresas de telefonia fixa, que buscam um reposicionamento mercadológico para conseguirem competir com as operadoras de telefonia móvel e com os grandes grupos de mídia na oferta de conteúdos.
A implementação de canais de IPTV deverá se alastrar mais ainda com a chegada no Brasil do padrão Wimax, que é na prática uma tecnologia de banda larga sem fio com longo alcance e alta taxa de transmissão, ideal para atender a chamada "last mile", onde a qualidade de transmissão tem forte queda nas áreas urbanas. Até o final deste ano deve ser realizado pela Anatel o leilão para definir que grupos vão operar neste banda.
Podemos então prever, sem muita margem de erro, que dentro de dois anos já teremos ofertas de canais e dispositivos de IPTV à disposição no mercado brasileiro. Serão milhares de conteúdos ofertados por pequenos e grandes grupos de entretenimento e distribuídos pelas empresas de telecomunicações, por provedores e pelas próprias redes de TV, pelo menos por aquelas que não ficarem duvidando do futuro.
Você poderá ver seus programas prediletos na mesma TV onde assiste a novela, o futebol, o filme em DVD ou os canais de TV a cabo. A tela será a mesma, mas a oferta de programação muito mais generosa, com o requinte da escolha detalhada do que você vai assistir, do acesso à internet e, ainda, da capacidade de poder interagir diretamente com os conteúdos.
Para nós, usuários, a volume e a qualidade da oferta de conteúdos na TV vão melhorar, esta é a tendência. Para os legisladores e gestores das grandes redes de mídia há uma série de problemas pela frente, referentes à propriedade intelectual, marcos regulatórios e tributação. Como diria uma querida amiga: cada um com os seus problemas..
Comments: Janeiro 29, 2007 ::: TV ABERTA: FIM DE CARREIRA
Quem acompanha de perto a evolução e as inovações que surgem diariamente no ambiente da tecnologia digital já sabe há algum tempo que o modelo de negócio representado pelas tevês abertas no Brasil e no mundo está com suas horas contadas.
Mas isso dito por Bill Gates -ele deu este aviso em Davos, na Suiça, para os poderosos da economia mundial- ganha outra dimensão. O bilionário dono da Microsoft afirmou para uma platéia silenciosa estar "espantado ao ver que as pessoas não percebem que, daqui a cinco anos, todos vão rir do que temos na TV hoje.."
Realmente é de espantar a cegueira do mercado em relação a esta transformação que se torna cada vez mais próxima, principalmente aqui no Brasil, onde temos um modelo de televisão constrúido em cima das grandes redes de sinal aberto e da concentração de verbas publicitárias no universo do broadcast.
Conteúdos on-line, gerados ou não pelos usuários, operacionalizados e transmitidos via internet, já estão integrando computadores e aparelhos de TV em um único dispositivo, através de recursos tecnológicos diversificados e adequados às exigências mercadológicas de cada região do planeta.
Entre nós não será diferente, apesar do enorme esforço no sentido contrário que faz quase em desespero o time dos "radiodifusores", controladores históricos das fatias mais generosas do bolo publicitário. A TV no Brasil caracterizou-se sempre como uma ação entre amigos, quase sem concorrência. E nunca esteve com um conteúdo de qualidade tão ruim no ar como o atual. Ou alguém ainda se arrisca a asisitir TV aberta domigo à tarde por exemplo?
Mas tudo está mudando, muito mais rápido do que os broadcasters poderiam imaginar. As conexões à internet em alta velocidade vão explodir através de pesados investimentos das empresas de telefonia, que já deixaram claro sua intenção de entrar no lucrativo mercado de TV. A capacidade de banda para tráfego de audio e vídeo é a principal exigência para se consolidar a IPTV, ou TV através de protocolo IP (internet protocol).
Há, inclusive, uma clara disposição do governo brasileiro e dinheiro já disponível no BNDES para apoiar empreendedores que queiram desenvolver projetos envolvendo novos recursos tecnológicos e novas bases de produção de conteúdos, tudo voltado a sedimentação do mercado de IPTV que vem por aí.
Agora que Bill Gates avisou, talvez os conservadores executivos das redes de TV no Brasil abram os olhos e comecem a compreender que não há como impedir a evolução e muito menos a inovação.
Mantendo-se no radicalismo mercadológico em que se encontram, perderão o bonde da história, sob risco de serem engolidos por novas empresas dirigidas por jovens mais novos que seus próprios filhos. Como diria a garotada: "se liga aí tio, a fila está andando!
Comments: Janeiro 25, 2007 ::: A DIVERTIDA ORIGEM DO SPAM
Apesar de ser uma prática e uma praga condenável, a expressão "spam" tem uma origem muito engraçada e bastante insólita. SPAM é a marca de um presunto picante (Spieced Ham), produzido desde 1937 pela Hormel Foods, uma tradicional empresa norte-americana de alimentos.
A marca ganhou projeção nos Estados Unidos na década de 70 através de campanhas publicitárias onde se utilizavam jingles que ficaram muito populares. Foi quando o grupo de comediantes Monty Python satirizou o SPAM em um episódio da série de TV Monty Python´s Flying Circus, exibida no mundo inteiro.
Ao surgir a Internet, alguns usuários começaram a associar o incômodo e irritante hábito de enviar mensagens em massa sem a autorização dos destinatários aos incômodos e irritantes jingles do presunto SPAM e ao deboche do grupo inglês à marca. O termo consolidou-se mundialmente na velocidade da web.
Nos Estados Unidos o presunto SPAM é vendido até hoje e os donos da marca parecem muito satisfeitos com a transformação do termo em referêncioa mundial, mesmo que usado como referência de chatice, inconveniência e invasão de privacidade.
Assista abaixo o vídeo do Monty Python ridicularizando o presunto picante SPAM. É muito divertido!
Veja abaixo uma entrevista com Steve Ballmer, o CEO da Microsoft, falando (mal, é claro) do iPhone, lançado pela Apple há uma semana e ansiosamente esperado nas prateleiras do mundo inteiro. Não há dúvidas: o golpe de Steve Jobs acertou a concorrência em cheio..
Hoje em dia a Internet é utilizada para quase tudo, principalmente para busca de sites de sexo e pornografia, área que ocupa quase 60% do tráfego na rede. Mas há casos específicos de gente muito esperta que descobre formas criativas de promover e faturar com a sacanagem on-line.
Foi o que fez o brasileiro Rodrigo dos Santos, proprietário do site M.Class, que anuncia em suas páginas garotas de programa que atuam na cidade de São Paulo.
Rodrigo passou a disponibilizar no site vídeos em formato MP4, que podem ser baixados e assistidos pelos interessados em iPods ou outros players que suportem o formato.
A idéia se transformou em sucesso, pelo menos entre o público masculino paulista que busca este tipo de atividade na internet. A novidade está funcionando como uma espécie de "album de figurinhas" digital, onde cada um dos usuários faz questão de mostrar para os amigos seus novos vídeos.
O site passou a ter 50 mil acessos por dia, pelo menos é o que afirma o proprietário Rodrigo. Ele também informa ter aumentado em 200% o faturamento das garotas de programa após a disponibilização desta nova tecnologia.
Há controvérsias nisso tudo, é claro, mas a verdade é que sempre tem um esperto para faturar com as imensas possibilidades deste mundo digital..
Comments: Janeiro 15, 2007 ::: VEJAM O BRINQUEDINHO FUNCIONANDO!
Se você não quer esperar até junho para ver o iPhone de perto, funcionando com todos os seus recursos, basta assistir o vídeo abaixo, produzido pela Rede de TV CBS. Vale à pena!
ROBERTO ANDRADE é jornalista, pós-graduado em jornalismo digital com 25 anos de experiência em televisão.
Trabalhou como roteirista, produtor e diretor de programas, filmes, documentários e videoclips para diversas redes e emissoras,
como TVE, Band, RBS TV, TV Globo, MTV e Antenne 2. Foi vencedor do I Festival do Minuto e premiado
como produtor no Festival Internacional de Cinema, Vídeo e Televisão de Nova Iorque. Dirigiu a produtora Prisma durante
15 anos, onde realizou mais de 700 trabalhos para o mercado publicitário. Produziu e dirigiu os programas de rádio e TV
de 14 campanhas políticas em 5 estados brasileiros. Tem artigos jornalísticos e técnicos publicados
em jornais e revistas de todo País, com ênfase nas novas mídias e ambientes digitais. Atualmente é diretor e roteirista da
ZNet Conteúdos Digitais, além de Consultor em Mídias Digitais para empresas no Brasil e no exterior.